Vou colocar um piercing no tragus. O que preciso saber?

Foco na orelha de uma mulher de pele clara e cabelo preto. Ela tem um piercing no tragus e um furo no lóbulo.

Pensando em dar um upgrade no visual com um detalhe que seja cheio de personalidade, mas que ainda assim seja discreto? Se a resposta for sim, o piercing no tragus é o candidato perfeito.

Como é o caso de qualquer perfuração, é normal ficar com algumas dúvidas (e medos!). Para te ajudar a decidir se essa é a escolha certa, vamos responder todas as suas dúvidas sem enrolação neste guia sincero. Vamos lá?

O que é um piercing no tragus?

O tragus é aquela pequena aba de cartilagem que fica na frente do canal auditivo (aquela parte que você instintivamente pressiona para tapar o ouvido). Diferente de modelos mais expostos, como o hélix ou o conch, o piercing no tragus é uma perfuração mais discreta e sutil.

Em termos técnicos, a principal diferença para outros furos de cartilagem é a espessura do tecido e sua proximidade direta com o canal auditivo, o que vai exigir atenção redobrada na rotina de higiene (vamos falar disso daqui a pouco, ok?).

O que você precisa saber antes da perfuração?

Tomar a decisão de furar a cartilagem exige mais planejamento do que perfurações mais simples, como a do lóbulo. Vamos esclarecer as principais dúvidas para que nenhuma etapa do processo te pegue de surpresa.

O piercing no tragus dói?

Sim, furar o tragus dói, mas é um incômodo muito breve. Por ser uma cartilagem mais espessa, o que se sente é mais uma pressão forte e instantânea do que uma dor que demora a passar.

Em uma escala de 0 a 10, a maioria das pessoas aponta um nível entre 4 e 6. A título de comparação, esse furo dói mais que o lóbulo (que é apenas pele), mas muitos relatam que dói menos que o hélix (a cartilagem superior da orelha).

Ah, e se você ouvir um “estalo” no momento em que a agulha atravessa, não se assuste! É perfeitamente normal, uma vez que estamos bem perto do canal auditivo.

Como o procedimento deve ser feito?

Um procedimento correto (e seguro!) começa com a assepsia total da área. Em seguida, o profissional marca o local exato do furo com uma caneta cirúrgica. Com o ponto definido, a perfuração é feita de forma rápida e precisa, utilizando uma agulha específica para body piercing. Por fim, a joia esterilizada é inserida imediatamente através do canal recém-criado, finalizando o procedimento.

Vale ressaltar: o procedimento deve ser feito exclusivamente com uma agulha americana ou um catéter. Nunca, em hipótese alguma, faça qualquer perfuração com aquelas pistolas de pressão de farmácia.

Por que a pistola é perigosa?

  • A pistola usa uma força bruta que danifica muito a cartilagem, causando um trauma muito maior que o corte preciso da agulha e dificultando a cicatrização;
  • Se a pistola for de plástico, o que é muito comum, ela não pode ser 100% esterilizada em autoclave;
  • A joia usada nesse tipo de perfuração é um brinco tradicional, que tem uma tarraxa que aperta, acumula sujeira e não permite que a área incha adequadamente.

Quanto custa um piercing no tragus?

O preço de um piercing no tragus pode variar significativamente dependendo da sua cidade, da reputação do estúdio e, principalmente, do material da joia inicial.

Em média, no Brasil, espere pagar entre R$ 80,00 e R$ 200,00. Este valor geralmente inclui a perfuração e uma joia básica estéril (aço cirúrgico ou titânio). Joias de titânio grau de implante são mais caras, mas são a melhor opção para evitar alergias.

Como escolher o estúdio e o profissional?

Escolher um profissional qualificado é o primeiro passo para um piercing bonito e saudável. Por ser um procedimento em que uma parte do seu corpo é literalmente perfurada, a estética nunca deve vir acima da segurança.

Preste atenção nestes quatro pontos fundamentais na hora de selecionar o estúdio:

  • Higiene: o local é visivelmente limpo? O profissional usa luvas e máscara?
  • Alvará: o estúdio possui alvará da Vigilância Sanitária (Anvisa)?
  • Esterilização: o material é 100% descartável ou esterilizado em autoclave? Peça para ver a embalagem da agulha sendo aberta na sua frente.
  • Portfólio: veja fotos de trabalhos do profissional, especialmente fotos de piercings já cicatrizados.

Cicatrização e cuidados

A perfuração é apenas o primeiro passo. Depois dela, começa a fase mais longa e crítica do processo. A cicatrização de uma cartilagem é um processo demorado, que exige paciência e disciplina.

Para garantir que o seu piercing se regenere de forma saudável, é fundamental entender três pilares: o tempo que seu corpo levará, qual deve ser sua rotina exata de cuidados e como identificar sinais de complicação antes que se tornem um problema.

Quanto tempo demora para cicatrizar o piercing no tragus?

Prepare-se para ter paciência. A região do tragus tem um fluxo sanguíneo menor que o lóbulo, por exemplo, tornando a cicatrização mais lenta. O tempo médio para a cicatrização completa é de 6 a 12 meses.

Isso não significa que ele ficará dolorido por um ano. Ele deve parar de doer em algumas semanas, mas a cicatrização interna (a formação do túnel de pele) leva meses. Trocar a joia antes da hora pode reabrir a ferida e atrasar todo o processo.

Como deve ser a rotina de cuidados?

Uma perfuração bem-sucedida depende 20% do profissional e 80% dos seus cuidados em casa. A rotina de cuidados com um piercing exige disciplina, mas é mais simples do que parece.

  1. Higienização com soro fisiológico

Duas vezes ao dia, lave bem as mãos e use uma gaze ou cotonete limpo embebido em soro fisiológico (0,9%) para limpar suavemente em torno do piercing. O objetivo é remover qualquer linfa (secreção clara) ressecada, sem girar ou forçar a joia. O soro é isotônico, ou seja, limpa sem agredir o tecido.

  1. Limpeza no banho

Uma vez ao dia, durante o banho, deixe a água morna escorrer sobre o piercing (sem ser um jato direto) e use um sabonete líquido neutro ou glicerinado. Deixe a espuma limpar a área e enxágue abundantemente para não sobrar nenhum resíduo de sabão.

  1. Seque completamente a área

A umidade cria um ambiente perfeito para a proliferação de bactérias. Após o banho ou a limpeza, seque a área com muito cuidado. Use uma gaze limpa ou papel toalha, apalpando suavemente. Evite toalhas de banho, pois elas podem acumular bactérias e enroscar na joia.

  1. Não durma sobre a perfuração

A pressão constante durante a noite pode causar inchaço excessivo, dor e até alterar o ângulo do furo. Use um travesseiro de viagem e encaixe a orelha no buraco para dormir sem pressionar a área.

  1. Cuidado com fones de ouvido

O tragus fica exatamente onde os fones intra-auriculares se encaixam. O uso deles é desaconselhado nos primeiros meses, pois eles pressionam a joia e podem ser uma fonte de contaminação. Prefira fones externos (headphones) que cobrem a orelha.

  1. Evite produtos agressivos

Nunca use álcool, água oxigenada, antissépticos com iodo ou pomadas (como Nebacetin). Esses produtos são muito agressivos para um tecido em cicatrização, matando as células boas e ressecando a pele, o que atrasa o processo.

  1. Não troque a joia antes da hora

Um body piercer experiente sempre vai te recomendar uma joia ideal para sua perfuração. Geralmente, ela é reta e mais longa para acomodar o inchaço dos primeiros dias. Trocá-la antes da cicatrização completa (6-12 meses) pode causar um trauma enorme, reabrindo o canal e levando a infecções.

Sinais de alerta

É crucial saber diferenciar uma irritação normal de uma infecção real. Nos primeiros dias, é esperado que a área fique vermelha, inchada e sensível. Isso é a fase inflamatória, uma resposta saudável do seu corpo.

O problema começa quando esses sintomas pioram em vez de melhorar, ou aparecem de repente após um trauma (como uma pancada ou dormir em cima). Os principais sinais de alerta para uma infecção ou complicação séria são:

  • Dor latejante e intensa que não passa;
  • Inchaço excessivo que faz a joia parecer “apertada”;
  • Vermelhidão que se espalha pela orelha;
  • Calor intenso e constante na região;
  • Presença de pus (secreção espessa, opaca, amarela ou esverdeada), que é diferente da linfa (clara e quase transparente);
  • Febre (em casos mais graves).

Se notar esses sinais, não tire a joia (pois isso pode selar a infecção dentro do furo) e procure imediatamente seu profissional ou um médico.

Qual é a joia ideal para o tragus?

No começo, a escolha da joia deve ser técnica, não estética. O piercing precisa ser 100% seguro para o seu corpo e ter um formato que facilite a cicatrização — como é o caso do Labret, a opção mais recomendada pelos profissionais.

Esse tipo de piercing tem um formato reto, que acomoda bem o inchaço dos primeiros dias de cicatrização, e uma base achatada que evita atritos e facilita a limpeza da região que foi perfurada.

As argolas, por mais bonitas que sejam, devem ser evitadas nos primeiros meses. Afinal, elas se movem com bastante facilidade, o que pode causar irritações e prejudicar a cicatrização.

O material deve ser hipoalergênico e biocompatível, o que reduz significativamente o risco de reação alérgica ou rejeição da joia. Evite sempre ligas metálicas que possuem níquel, cobalto ou cromo, que são metais que podem causar complicações.

Pronto para o próximo passo?

O piercing no tragus é uma escolha incrível, que adiciona um charme único ao visual. Ele exige um nível de comprometimento maior com os cuidados e um teste de paciência com a cicatrização, mas o resultado final compensa todo o esforço. Agora que você já sabe tudo sobre essa perfuração, está na hora de dar o próximo passo! Explore a coleção de piercings da Tal da Realeza e escolha a joia que mais combina com o seu estilo.