Piercing transversal: a joia perfeita para um visual ousado

Imagem focada na orelha de um homem negro. Ele tem cabelos pretos e crespos e usa um piercing transversal prateado na orelha.

O piercing transversal é, sem dúvida, uma das perfurações com mais personalidade que você pode fazer. Ele muda completamente o visual da orelha e passa uma mensagem de atitude imediata.

No entanto, ele também carrega a fama de ser um dos mais chatos de cuidar. Diferente de um furo simples no lóbulo, o transversal exige comprometimento real. Se você não tiver paciência, a chance de desistir no meio do caminho é grande.

Neste guia, você vai entender por que nem todo mundo pode ter esse piercing, encontrar dicas de como combinar a joia com o seu estilo e ficar por dentro dos cuidados necessários para garantir uma cicatrização tranquila. Vamos lá?

Então, o que é um piercing transversal?

O piercing transversal, também conhecido como industrial, é aquela haste longa que atravessa a parte superior da orelha. Ele conecta dois furos na cartilagem, geralmente um próximo ao hélix (borda externa da orelha) e outro no anti-hélix (mais perto do rosto).

Para ter um transversal, você precisa ter a dobrinha externa da orelha bem definida e proeminente. Se a sua orelha for muito plana ou se a parte central da cartilagem for muito alta, a barra vai fazer pressão contra a pele, causando feridas e até deformações.

Então, antes de furar, o body piercer precisa (na verdade, deve!) avaliar se sua orelha comporta a joia.

Fazer um piercing transversal dói?

A resposta curta e honesta é: sim, dói. E por um motivo simples: você está perfurando a cartilagem (que é um tecido mais duro que o do lóbulo, por exemplo) em dois pontos de uma vez só.

A maioria das pessoas classifica a dor como moderada a alta — entre 6 e 7, numa escala de 0 a 10. O primeiro furo costuma ser tranquilo, mas o segundo pode ser mais sensível porque a orelha já está “alertada” e dolorida.

Nos primeiros dias após o furo, é normal sentir uma sensação de queimação, latejamento e a orelha ficar bem vermelha e quente. Isso faz parte da resposta inflamatória do corpo.

Quanto tempo demora a cicatrização?

Agora que você já fez os furos, é hora da paciência entrar em jogo. Esse tipo de piercing tem uma das cicatrizações mais longas entre os piercings de orelha, levando de 6 meses a 1 ano para cicatrizar totalmente.

Com 3 ou 4 meses, o furo pode parecer ótimo por fora, mas o tecido ainda está se recuperando por dentro. Se você trocar a joia ou descuidar da limpeza nessa fase, ele pode inflamar do dia para a noite.

A cicatrização é lenta porque a cartilagem tem pouca circulação sanguínea. Além disso, como os dois furos são conectados por uma barra rígida, qualquer batidinha em uma ponta vibra na outra, irritando os dois furos ao mesmo tempo.

Qual o material ideal para esse piercing?

Escolher o material certo é o primeiro passo para evitar problemas. O ideal é sempre escolher piercing feitos com metais hipoalergênicos, que reduzem consideravelmente as chances de irritação. Os mais recomendados são:

  • Titânio de grau de implante: é a melhor escolha, ponto final. O titânio é biocompatível, não contém níquel (que causa alergia em muita gente) e é extremamente leve. Isso ajuda o corpo a focar na cicatrização, não em combater o material.
  • Aço Cirúrgico: é barato e comum, mas pode conter traços de níquel. Se você tiver a pele sensível, isso pode causar coceira, inchaço extra e atrasar a cura.
  • Ouro 18k: é excelente para quando a perfuração estiver totalmente cicatrizada. Para o furo inicial, prefira o titânio, a menos que seja uma joia de ouro maciço certificada e apropriada para perfuração (sem componentes que causem alergia).

3 dicas para combinar o transversal com o seu estilo

Passada a fase da cicatrização, vem a parte boa! O piercing transversal já transmite muita atitude sozinho, mas combiná-lo com outras joias muda totalmente a proposta do visual. Confira essas dicas práticas:

  1. Misture com argolas no lóbulo

O contraste é o segredo. Como a barra do transversal é uma linha reta na parte de cima da orelha, usar argolas redondas e delicadas nos furos do lóbulo cria um equilíbrio visual perfeito.

  1. Troque as ponteiras da joia

Você não precisa trocar a barra inteira para mudar o visual. A maioria das joias permite desrosquear as bolinhas nas pontas. Você pode colocar spikes para um visual mais punk ou pedrinhas de strass para algo mais delicado e brilhante.

  1. Aposte no mix de metais

Foi-se o tempo em que prata e dourado não se misturavam. Um transversal prateado fica super moderno combinado com brincos dourados no resto da orelha. Essa mistura traz uma pegada fashionista e descolada.

Como cuidar do seu piercing transversal

A cicatrização do transversal é uma das mais demoradas. Como a cartilagem tem pouca circulação sanguínea, o processo exige paciência e disciplina. O segredo é não complicar: mantenha a higiene básica e evite atritos desnecessários.

Siga estas recomendações para evitar problemas:

  • Evite tocar na joia: nossas mãos carregam bactérias, mesmo quando parecem limpas. Só encoste no piercing no momento da higiene. Não gire a joia “para não grudar”, isso rompe a casquinha de cicatrização e atrasa o processo.
  • Use apenas soro fisiológico: para limpar, use gaze estéril embebida em soro fisiológico. Faça isso de 2 a 3 vezes ao dia. Evite álcool, água oxigenada ou pomadas sem indicação médica, pois agridem a pele recém-furada.
  • Cuidado com cotonetes: evite usar hastes flexíveis de algodão. Os fiapos podem se soltar, enroscar na joia e virar um foco de inflamação. A gaze é mais segura e não deixa resíduos.
  • Atenção com cabelo e acessórios: o cabelo enroscando na bolinha é uma das maiores causas de dor. Mantenha os fios presos nas primeiras semanas. Tenha cuidado também com toalhas, capacetes e fones de ouvido grandes (headsets) que pressionam a orelha.
  • Não durma sobre a orelha furada: o peso da cabeça pressiona a joia contra o travesseiro, o que pode alterar o ângulo do furo e causar granulomas. Uma dica prática é usar um travesseiro de viagem (aqueles de pescoço) e dormir com a orelha no vão central.
  • Mantenha a região seca: a umidade favorece a proliferação de bactérias. Após o banho ou a limpeza, seque bem a área com gaze. Você também pode usar um secador de cabelo no jato frio (mantendo uma distância segura) para garantir que não fique úmido.
  • Evite produtos químicos: shampoo, condicionador, cremes e perfumes podem irritar o furo aberto. Tente evitar que esses produtos caiam diretamente na orelha e, caso aconteça, enxágue com bastante água corrente imediatamente.

Problemas comuns (e como resolver)

Mesmo com todos os cuidados, o corpo pode reagir e imprevistos podem acontecer. É fundamental saber diferenciar uma irritação comum de um problema que exige ajuda médica.

Os principais perrengues costumam ser:

Granuloma

É o problema mais comum, muitas vezes confundido com queloide. Trata-se de uma pequena lesão avermelhada que cresce ao lado do furo, geralmente causada por atrito, pressão (dormir em cima) ou ângulo incorreto da joia.

Jamais estoure ou tente arrancar. Melhore a higiene, faça compressas mornas com soro fisiológico e elimine qualquer pressão sobre a orelha. Se não diminuir em alguns dias, procure seu body piercer para avaliar se a joia precisa ser trocada.

Infecção

É diferente da inflamação normal dos primeiros dias. Na infecção, os sinais são agressivos: presença de pus (amarelo ou esverdeado), cheiro forte, calor excessivo na orelha e dor latejante constante.

Procure atendimento médico imediatamente e jamais retire a joia por conta própria antes de ir ao médico. O furo pode fechar superficialmente e prender a infecção dentro da pele, agravando o quadro.

Queloide

É uma cicatriz rígida, de coloração escura ou rosada, que cresce além dos limites do furo e não regride sozinha. É uma condição genética e muito mais rara do que a maioria das pessoas imagina.

Caso suspeite de queloide, o tratamento deve ser feito exclusivamente com a supervisão de um dermatologista. Pomadinhas e receitas caseiras não funcionam.

Migração ou rejeição

Acontece quando o corpo entende a joia como um corpo estranho e tenta expulsá-la. Você percebe que a pele sobre a barra vai ficando cada vez mais fina e a joia parece estar vindo para a superfície. 

Geralmente, esse problema acontece por tensão na pele (anatomia inadequada) ou material de baixa qualidade. A melhor opção é remover a joia o quanto antes para evitar que ela rasgue a pele e deixe uma cicatriz maior.

No entanto, busque sempre orientação do seu body piercer ou de um médico antes de tomar uma decisão precipitada.

Vale a pena fazer um piercing transversal?

O piercing transversal exige disciplina, higiene e paciência, mas o resultado compensa. É uma joia única que carrega muito estilo. Se você tem a anatomia correta e topa cuidar direitinho durante os meses de cicatrização, vai fundo.

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